Cícero, um dos mais brilhantes sábios da Roma Antiga, perguntava se “haveria algo mais belo do que ter alguém com quem se pudesse falar de todas as suas coisas como se falasse consigo mesmo?”. Como seria absurdamente libertador! Mas nem todos têm esta liberdade e os solitários, como eu, fazem isso com o espelho.
Uma vez eu li que carregamos as sementes tanto da felicidade como da tristeza em nossas mentes e que, quase sempre, nossa felicidade ou tristeza depende de nossa disposição e não das circunstâncias em que nos encontramos. Parece que basta querer e talvez seja assim. Mas não é sempre, é quase sempre, e aos que são designados para ajudar não cabe se preocupar em serem felizes, tristes ou ajudados. Apenas estão aqui para ajudar, mesmo que sejam, com o tempo, os que mais precisam de ajuda. Não nos pertencemos, apenas somos e nada esperamos pois, se esperamos, sofremos. Como é solitário estar rodeado de pessoas que precisam da nossa ajuda! Mas tocamos a vida com esperança de um dia encontrarmos o nosso redentor, quem nos ajudará e trocará de lugar conosco. Há tempos, como sendo daqueles que gostam de ajudar, ou precisam ajudar, eu sinto na pele como é uma prova de amor se oferecer pelos outros. O “ajudador” segue por caminhos ásperos e íngremes, debulha-se, tritura-se e amassa-se até ficar mais macio e, então, submete-se ao fogo para que se transforme em pão, para alimentar o corpo e o coração do próximo, enquanto os seus próprios seguem interminavelmente no ciclo debulhar-se, triturar-se e amassar-se, sempre para ser lançado no fogo. Será que é isto que quer dizer que é melhor dar do que receber? Parece que ajudar e ser ajudado são os dois lados de uma mesma moeda e que, se a lançarmos ao alto e olharmos quando ela cai, somente um lado pode prevalecer. Se for isto, então me sinto feliz por tirar a ventura maior de precisar ajudar do que ser ajudado.
“Sinto-me, sem sentir, no rigoroso fogo que me alenta / O mal que me consome é o mesmo que me sustenta / Ando sem me mover, falo calado! / Ainda assim, é melhor ajudar que ser ajudado.”
Mas quando a bateria dá sinais de que precisa de uma nova carga, como eu faço? Minha esperança de felicidade é um dia ter a certeza de ser amado apesar de ser como eu sou. Se não amado, pelo menos querido e poder continuar a ser o que sou. Pensei já ter encontrado isto, mas não era verdade. Já pensei em desistir e às vezes sinto que desisti sem pensar mais nisso. Talvez assim eu fique mais protegido e sofra menos.
Já perdi tanta coisa! Mas poucas me fizeram realmente falta e foi a perda destas poucas coisas que ainda doem, mas agora transformadas em cicatrizes que me fazem lembrar, ou não me deixam esquecer, que quando aparece alguém, vem junto, só que escondida, a dor que não se quer sentir. Um lado de mim vê as dores passadas e outro lado de mim vê que ainda pode ser possível.
Eu sei dizer “eu te amo” em vários idiomas... mas apenas sei dizer, embora não o diga. Não o digo porque não amo ou não amo porque não o digo? Basta amar para poder dizer ou basta poder dizer para amar? E assim, já se foram muitos e muitos anos de uma vida com tanta aventura, desventura, experiência, pujança e carência.... por isso escrevi sobre carência e abundância: “em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo tanto de estar suprido como de ter fome, tanto de ter abundância como de sofrer carência”.
E o ciclo continua, a cabeça se agita, o pulso pulsa e o coração palpita ... mas a certeza inexorável da dor sempre se faz presente.
Eu sei que “tenho tantos segredos dentro de mim”, alguns que nem eu mesmo sei. Eu não os compartilho, mas pode ser possível. E sendo possível, então com quem? Se não agora, então quando? São tantos segredos e tantas perguntas dentro de mim.
Uma vez eu li que carregamos as sementes tanto da felicidade como da tristeza em nossas mentes e que, quase sempre, nossa felicidade ou tristeza depende de nossa disposição e não das circunstâncias em que nos encontramos. Parece que basta querer e talvez seja assim. Mas não é sempre, é quase sempre, e aos que são designados para ajudar não cabe se preocupar em serem felizes, tristes ou ajudados. Apenas estão aqui para ajudar, mesmo que sejam, com o tempo, os que mais precisam de ajuda. Não nos pertencemos, apenas somos e nada esperamos pois, se esperamos, sofremos. Como é solitário estar rodeado de pessoas que precisam da nossa ajuda! Mas tocamos a vida com esperança de um dia encontrarmos o nosso redentor, quem nos ajudará e trocará de lugar conosco. Há tempos, como sendo daqueles que gostam de ajudar, ou precisam ajudar, eu sinto na pele como é uma prova de amor se oferecer pelos outros. O “ajudador” segue por caminhos ásperos e íngremes, debulha-se, tritura-se e amassa-se até ficar mais macio e, então, submete-se ao fogo para que se transforme em pão, para alimentar o corpo e o coração do próximo, enquanto os seus próprios seguem interminavelmente no ciclo debulhar-se, triturar-se e amassar-se, sempre para ser lançado no fogo. Será que é isto que quer dizer que é melhor dar do que receber? Parece que ajudar e ser ajudado são os dois lados de uma mesma moeda e que, se a lançarmos ao alto e olharmos quando ela cai, somente um lado pode prevalecer. Se for isto, então me sinto feliz por tirar a ventura maior de precisar ajudar do que ser ajudado.
“Sinto-me, sem sentir, no rigoroso fogo que me alenta / O mal que me consome é o mesmo que me sustenta / Ando sem me mover, falo calado! / Ainda assim, é melhor ajudar que ser ajudado.”
Mas quando a bateria dá sinais de que precisa de uma nova carga, como eu faço? Minha esperança de felicidade é um dia ter a certeza de ser amado apesar de ser como eu sou. Se não amado, pelo menos querido e poder continuar a ser o que sou. Pensei já ter encontrado isto, mas não era verdade. Já pensei em desistir e às vezes sinto que desisti sem pensar mais nisso. Talvez assim eu fique mais protegido e sofra menos.
Já perdi tanta coisa! Mas poucas me fizeram realmente falta e foi a perda destas poucas coisas que ainda doem, mas agora transformadas em cicatrizes que me fazem lembrar, ou não me deixam esquecer, que quando aparece alguém, vem junto, só que escondida, a dor que não se quer sentir. Um lado de mim vê as dores passadas e outro lado de mim vê que ainda pode ser possível.
Eu sei dizer “eu te amo” em vários idiomas... mas apenas sei dizer, embora não o diga. Não o digo porque não amo ou não amo porque não o digo? Basta amar para poder dizer ou basta poder dizer para amar? E assim, já se foram muitos e muitos anos de uma vida com tanta aventura, desventura, experiência, pujança e carência.... por isso escrevi sobre carência e abundância: “em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo tanto de estar suprido como de ter fome, tanto de ter abundância como de sofrer carência”.
E o ciclo continua, a cabeça se agita, o pulso pulsa e o coração palpita ... mas a certeza inexorável da dor sempre se faz presente.
Eu sei que “tenho tantos segredos dentro de mim”, alguns que nem eu mesmo sei. Eu não os compartilho, mas pode ser possível. E sendo possível, então com quem? Se não agora, então quando? São tantos segredos e tantas perguntas dentro de mim.