quarta-feira, 11 de junho de 2014

Teimoso não! Inconformado.


Cientistas acreditam que é a busca pelas próprias fraquezas que faz os bons jogadores de xadrez, e não a prática do xadrez em si, pois eles estão sempre céticos. O investidor George Soros, ao fazer uma aposta financeira, fica procurando por instâncias que provariam que a teoria inicial estivesse errada. Isso talvez seja a verdadeira autoconfiança: a capacidade de olhar para o mundo sem a necessidade de encontrar sinais que afaguem o próprio ego, mas que demonstrem a solidez ou fragilidade da teoria em questão. É complicado combater as próprias teorias, porque depois que a mente é habitada por certas visões de mundo, você tenderá a considerar apenas as instâncias que provem que está certo. Paradoxalmente, você deve crer em suas intuições iniciais e ao mesmo tempo tentar demoli-las.

Um comentário:

  1. A auto crítica é poderosa aliada para nos auxiliar a tomar decisões; mas normalmente focamos este holofote em nossos defeitos muito aparentes, e muitas das vezes apenas nos que são passíveis também de análise externa, por serem visíveis, ou pelo menos facilmente detectáveis por pessoas que enxerguem além da superficialidade das convenções sociais e que partilhe do nosso meio. Criticar aquilo que admiramos em nós mesmos, aquilo de que nos orgulhamos, as nossas grandes sacadas, intuições de “Grande Mestre”, o feeling do grande e experiente jogador é um exercício raro e bastante complexo. Entender que não é possível prever tudo é prova de maturidade. As regras do jogo mudam o tempo todo, ou por iniciativa própria do jogador ou exigência do tabuleiro. Aceitar isso demanda boa dose de humildade e clareza de pensamento. É impossível entrar totalmente na cabeça de quem está do outro lado da mesa, ou mesmo na cabeça do seu companheiro de time. Eles podem estar sendo afetados por fatores extra campo e isso modifica todo o panorama. Isso não quer dizer que o jogo não vai ser ganho. Quer dizer apenas que talvez a vitória não chegará naquela jogada espetacular, mas sim no jogo paciente e tranquilo do Mestre. A perfeição da escolha certa não existe. Sofrimento e felicidade estão mais próximos do que se imagina. Usemos a inteligência mais para nos emocionar. A exatidão dos nossos atos é uma utopia, e se ela existisse essa vida seria absurdamente tediosa. Não acha?

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