sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sobre Avatar, Índios, Africanos e Aborígenes

Quem assistiu ao recente blockbuster AVATAR deve ter se impressionado com a estética, visual futurista e a complexidade dos efeitos especiais. De fato, é surpreendente. Ao final, o comentário mais ouvido segue na linha de como seria bom (ou mal) se pudéssemos viver realidades paralelas, dando vazão aos nossos sonhos e alteregos. Já se pode fazer isto no cyberspace do Second Life, um mundo também virtual em 3D onde se pode socializar com outros avatares.

Mas o que me surpreendeu mesmo foi ver que o ciclo da dominação destrutiva por parte do homem não cessa e se repete mesmo na ficção. Lembrem-se das conquistas européias no recém descoberto Novo Mundo, mais tarde chamado América (o continente todo, de norte a sul). Os índios foram cooptados, enganados, escravizados e por fim, dizimados. Os africanos participaram de uma das maiores vergonhas laborais empreendidas pelo homem, mas nem de longe foram os primeiros, pois o transformar vencidos em escravos vem desde o homem de Neanderthal, passando pelos hebreus no Egito e Babilônia e chegando, nos dias atuais, às fazendas do norte e nordeste brasileiro. Quem conhece a saga dos aborígines e a conquista da Austrália vê o mesmo enredo.

Tentei buscar alguma outra espécie do reino animal que escravize seu semelhante. Nada a ver com hierarquia, pois esta até os insetos possuem. Não encontrei nenhuma. Se alguém conhecer, por favor, me avise.

E me impressionei como as mentes estão turvas para a calamidade social, pois a assistência vibra com os ataques, defesas, máquinas bélicas fenomenais, mas nenhum sino soa para a questão da dominação destrutiva que o homem é capaz de empreender. Pano de fundo: sempre ele, o dinheiro. Que pena que esta prática não tenha ficado restrita ao passado. Se já assusta ver que ainda hoje a escravidão insiste em se camuflar, a ficção já a projeta como certa na exploração de novos mundos. Como escreveu Schopenhauer, parece que estamos fadados a viver "no campo de batalha de seres atormentados e agonizantes que continuam a existir apenas devorando-se uns aos outros".

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