terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Os Bons Capitães

Outro dia, lendo e relendo alguns textos, me peguei em reflexões interessantes! Como nos comportamos ao longo de nossas existências, de nossas histórias de vida? Quero dividir com meus amigos e com aqueles que fizeram parte da minha jornada até aqui, esta síntese das leituras mais marcantes neste ano. Desejo a todos saúde, sucesso e paz. Com muito amor, claro, “pois sem amor, nada seríamos”.

Chamei esta síntese de “Os bons capitães”, que é o que eu gostaria de ser, e me empenharei cada vez mais em chegar a sê-lo, enquanto tiver tempo pra isso, pois sei que estou longe, muito longe, deste nobre alvo.

Se nossa existência for comparada a um navio, podemos refletir do seguinte modo: nossa história é um navio cargueiro vazio, onde o único tripulante é o capitão do navio, ou seja, cada um de nós. E cada porto pelo qual iremos passar, ou atracar, será um palco para que nossas vidas sejam alteradas, para melhor ou para pior, dependendo de tantas variáveis que seria impossível relacionar enquanto estamos ainda no ponto de partida.

Podemos imaginar que cada novo porto seria um acontecimento novo. E como o número de portos é finito, vez por outra passaremos pelos mesmos portos, querendo ou não, portos que nos deixaram felizes e nos deixarão mais felizes ou tristes, e vice-versa, mostrando como o clima do momento, uma das tantas variáveis aleatórias, pode influir no andar dos acontecimentos.

Nos portos, nosso navio, nossa vida, será carregado com contêineres fechados de carga, com as seguintes possibilidades: contêineres de alegria, de tristeza, de mistério, de medos, de dúvidas, de irresponsabilidade, de razão, de amor, podendo estar cheios, pela metade ou vazios. Só iremos descobrir se nos forem positivos ou negativos quando atracarmos no próximo porto. Checar o interior de cada um deles durante o curso da viagem é completamente inútil.

Entendendo os portos e os contêineres, começamos a navegar, a mapear nossos caminhos, ajustando as rotas de tempos em tempos, sempre procurando os melhores cursos, mas sabendo que para tanto, algumas vezes, teremos que passar por turbulências e maremotos. Os bons capitães aprendem também, e talvez mais, nos tempos difíceis e agitados, onde fazem crescer a habilidade de conduzir seus navios em mares agitados.

Além de procurarmos as melhores rotas, também teremos a tendência de procurar os melhores portos, esquecendo-nos que às vezes as melhores cargas não estão lá, mas talvez nos piores e mais distantes portos. Justamente os que procuramos evitar, talvez por preconceito, por preguiça ou por nos deixarmos envolver pelo “canto da sereia”, aquela música que momentaneamente parece maravilhosa e nos puxa para o fundo do oceano. Nosso navio vai a pique!

As cargas variam de acordo com o perfil do capitão: alguns navios são completamente carregados de tristezas, outros só de alegria, como se ser feliz o tempo todo fosse realmente o melhor para cada um de nós. Os capitães mais sábios terão sua carga mista, de bons e maus momentos, alegres e tristes, para que possam comparar, crescer, exercitar, acautelar-se, prever, enfim, tudo o que significa avançar para conquistar ou retroceder para se defender.

Os bons capitães aprendem que há 4 tipos de carga que requerem cuidados especiais, pois são coisas que não se recuperam: a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida e o tempo, depois de passado.

Aprendem também a não acreditar em tudo que ouvem, a não gastarem tudo o que têm e a não dormirem o quanto gostariam. Quando se desentendem, lutam limpo, sem golpes baixos. Quando perdem, pelo menos não perdem a lição, pois têm respeito por si mesmos, respeito pelos outros e responsabilidade pelos seus atos. Não deixam uma pequena disputa afetar uma grande amizade. E, quando notam que cometeram enganos, tomam providências para corrigi-los.

Sabem que a carga mais preciosa é o amor. Os bons capitães acreditam no amor à primeira vista, amam profundamente e com paixão, sabendo que podem ferir-se, mas que é o único meio de viver uma vida completa. Sabem que grandes amores e grandes realizações, assim como grandes travessias, envolvem grandes riscos.

Necessariamente, os capitães devem passar algum tempo sozinhos, para refletir.

Podem refletir, por exemplo, sobre o porquê o mar é tão grande, tão imenso, tão poderoso. Verão que o mar teve a humildade de colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber, tornou-se grande. Se estivesse alguns centímetros acima dos rios, seria uma ilha, e não o mar. Refletindo sobre o mar, percebe que é impossível ganhar sem saber perder, andar sem saber cair, acertar sem saber errar e viver sem saber morrer.

Além de refletirem sobre o mar, os portos e as cargas, podem refletir quanto aos passageiros. Percebem que os passageiros, as pessoas que embarcam em seus navios, embarcam por uma razão, uma estação ou uma vida inteira. Depois de perceberem o motivo, saberão o que fazer com cada passageiro.

Quando alguém embarca por uma razão, geralmente é para suprir alguma necessidade que demonstramos no momento. São pessoas que vêm para auxiliar em uma dificuldade, fornecer apoio e orientação, ajudar física, emocional ou espiritualmente. Elas embarcam pela razão de que precisamos que estejam ao nosso lado. E, assim como embarcaram, desembarcam, sem nenhuma atitude errada ou justificativa racional. Desembarcam porque morrem, porque simplesmente se vão ou porque, quando se vão, nos forçam a tomar uma posição e crescer. O que os bons capitães devem refletir é que suas necessidades foram atendidas, agora é tempo de continuar a navegar.

Quando alguém embarca por uma estação, é porque chegou o momento de dividir, de crescer e aprender. São passageiros que podem trazer paz, alegria, ensinar algo que nunca se fez, enfim, trazer um grande prazer, mas somente por uma estação. Isso é ruim? De modo algum, pois as estações são cíclicas, se repetem, e estas experiências voltarão a cruzar nossos caminhos.

Quando alguém embarca por uma vida inteira, já é tempo dos capitães terem aprendido, depois de tantas travessias e perigos, que devem aceitar somente os passageiros com os quais se goste de conversar. À medida que se envelhece, o talento para conversar se tornará tão importante quanto todos os outros talentos. Se é uma viagem para a vida inteira, não devem julgar ninguém pelos seus parentes.

Os bons capitães podem até falar devagar, mas pensam depressa. Trabalham como se não precisassem de dinheiro, amam como se nunca tivessem sido magoados e dançam como se ninguém estivesse observando. Sabem que o maior risco da vida é não fazer nada.

E revêem a vida de alguns passageiros ilustres e aprendem que não devem, nunca, desistir:
- Albert Einstein não sabia falar até os 4 anos de idade e só aprendeu a ler aos 7 anos. Sua professora o qualificou como “mentalmente lerdo, não-sociável e sempre perdido em devaneios tolos”. Foi expulso da escola e não foi admitido na Escola Politécnica de Zurique;
- Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, em 1876, não tocou o coração de financiadores com o aparelho. O Presidente Rutheford Hayes disse: "É uma invenção extraordinária, mas quem vai querer usar isso ?";
- Thomas Edison fez duas mil experiências para conseguir inventar a lâmpada. Um jovem repórter perguntou o que ele achava de tantos fracassos. Edison respondeu : "Não fracassei nenhuma vez. Inventei a lâmpada. Acontece que foi um processo de 2.000 passos.";
- Aos 46 anos, após anos de perda progressiva da audição, o compositor alemão Ludwig van Beethoven ficou completamente surdo. No entanto, compôs boa parte de sua obra, incluindo três sinfonias, em seus últimos anos;
- O superstar do basquete, Michael Jordan, foi cortado do time de basquete da escola.

Os bons capitães refletem sempre. Se se cansam de refletir olhando para o mar, podem refletir olhando para o ar. Vêem os gansos e lembram-se de que ao voar em formação de “v”, o bando inteiro aumenta em 71% o alcance do vôo com relação ao de um pássaro voando sozinho. E aprendem que compartilhar da mesma direção e sentido do grupo, permite chegar mais rápido e facilmente ao destino, porque ajudando-nos uns aos outros os resultados são melhores. Vêem que, quando um ganso sai da formação, sente a resistência do ar e a dificuldade de voar sozinho, então, rapidamente retorna à formação, para aproveitar o poder da elevação dos que estão à sua frente. E aprendem que permanecendo em sintonia e unidos junto àqueles que se dirigem conosco na mesma direção, o esforço será menor, será mais fácil e agradável alcançar as metas e estaremos dispostos a aceitar e oferecer ajuda. Vêem que, quando o ganso líder se cansa, se muda para o final da formação, enquanto outro assume a dianteira. E aprendem a compartilhar a liderança, a respeitarem-se mutuamente o tempo todo, a dividir os problemas e os trabalhos mais difíceis, reunir habilidades e capacidades, combinar dons, talentos e recursos. Vêem que, quando um ganso adoece, fica ferido ou está cansado e deve sair da formação, outros saem da formação e o acompanham para ajudá-lo e protegê-lo, permanecem com ele até que morra ou seja capaz de voar novamente; e então alcançam seu bando, ou se integram em outra formação. E aprendem que, estando unidos, um ao lado do outro, apesar das diferenças, tanto nos momentos difíceis, como nas horas de trabalho, a travessia será mais simples e mais prazerosa!

Depois de tantas reflexões e de tanto navegar, vem o tempo das descobertas. Os bons capitães, aqueles que aprenderam ao longo de suas tantas travessias, descobrem que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser e que o tempo é curto. Aprendem que não importa aonde já chegaram, mas para onde estão indo, mas se não se sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprendem que, ou eles controlam seus atos ou os atos os controlarão. Descobrem que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Façam o que tiverem que fazer, mas façam buscando sempre serem os capitães de suas vidas e, de preferência, seja parte do time dos “bons capitães”.
Um abraço a todos,
Alexandre Maiali
Dezembro - 2005

Um comentário:

  1. O melhor deles é o que tem a a certeza que barcos afundam, ficam a deriva...portanto hora de lidar com o caos, vejo aí quem é capitão joio e quem é o trigo. Quem é você na jornada de remar contra a maré? Fica e afunda ou se acovarda e vai antes mesmo das mulheres e crianças? Esse capitão eu preciso conhecer,pois Titanic o inafundável virou relato de horror...bem como o Claridon....quem é vc capitão Alex no desespero de se perder? Esse é o que me interessa. Deia

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